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sexta-feira, agosto 28, 2009

Música: Morena Samba - Dihelson Mendonça e Haroldo Ribeiro



Para quem não conhece meu trabalho "popular", e para afugentar o estereótipo de "pianista clássico" que alguns têm sobre mim, aqui está uma música minha, chamada "Morena Samba", em parceria com meu grande amigo Haroldo Ribeiro, e a letra de Sílvia Bezzato, belamente interpretada pela cantora paulistana Anna Canário no seu CD: Brasilização. Como músico popular, minhas influências são principalmente o Tom Jobim, o Edu Lobo, e a turma da corrente maior da Bossanova. Mesmo sendo músico do Cariri, meu trabalho é mais universalista, e a bem da verdade, embora valorize o trabalho dos que fazem, não sou muito afeito em nível puramente pessoal, a que o artista caririense tenha que se obrigar a fazer letras e música que falem em mangas e pequis para ser considerado artista caririense. Assim como o cantor João do Crato sempre se reclama de que também, devido a seu nome, as pessoas pensam que por se chamar João do crato, segundo ele próprio: "é esperado que eu suba no palco com um saco de pequi na cabeça e vestido de boiadeiro"... rs rs. Bem, voltando ao assunto, no álbum encontra-se outra música da minha autoria e do Haroldo, chamada "Seu Olhar". Recebi o link do vídeo recentemente da própria cantora Anna Canário, que foi gravado no Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga, e repasso pra vocês.

Abraços,

Dihelson Mendonça
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O AMANHECER - Dedicado a Socorro Moreira



O AMANHECER

( Dedicado a Socorro Moreira )


Flutua no ar por entre grãos de poeira
um tênue e belo halo luminoso
traz nas suas asas o espectro do dia que começa
Alma inda pequena e sorrateira que teima em nascer
e desfaz de forma inexorável a névoa silenciosa
das manhãs...

Minha alma enche-se de perfumes e encantos.
fitos no verde infinito das folhagens
olhos famintos devoram as ondulações das cores
em formas geométricas imprecisas e translúcidas

Do Tecido azul e irregular
gotas brilhantes escorrem
para se desmancharem em poesia
que eu recolho em baldes pelo caminho

Sinfonias de azul e vermelho escarlate
ostentam-se já no horizonte.
Nada falo. Nada penso. Que há para dizer ?
A vida pulula em toda a pradaria
em cada gota de néctar
sem que os homens a percebam

Espetáculo multicor de mundos diversos
habitam minh'alma
e ante tal selvagem beleza, humano já não sou
Na impessoalidade, foge-me o espírito,
e me transporto pelo raio de luz inerte,
apenas descrevendo e perscrutando o universo
- de quem já não vive... -

Dihelson Mendonça
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A MORTE DE CHOPIN - Dihelson Mendonça


Paris, 17 de Outubro de 1849
Na Praça Vendôme número 12
sento-me à cabeceira de um homem esquálido
que aguarda pacientemente...

Pessoas entram e saem do quarto com rapidez
levanto-me um pouco e olho pela fresta da janela
Transeuntes com roupas pomposas, passam sem saber que ali
se consome o corpo de um gênio

Lágrimas escorrem de nossas faces
enquanto alguém toca um de seus noturnos
Seu pálido reflexo sucumbe a cada hora
e nada mais há por fazer

Em dado momento, Delacroix entra quarto adentro,
e conversa conosco sobre o paciente, que mal responde.
Sem querer assistir a hora derradeira,
seguro a sua mão delicada, e beijo a fronte de CHOPIN,
saindo do quarto em direção à rua.

Olho para o céu, para as ruas e contemplo:
"Paris não muda !" - decerto.
Mas o mundo perde um gênio
que como poucos, soube retratar as inefáveis
verdades do espírito humano !
Distancio-me caminhando vagarosamente
e silenciosamente pelas ruas de Paris.

* * *

Do álbum "Caminhos Imaginários"
Dihelson Mendonça
Dedicado a Frederic Chopin
Arte: Chopin, por Delacroix

ASCO - Dihelson Mendonça

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Asco

Talvez não haja afinal, no mundo
lar ideal à minh'alma inquieta
nem cabeças a compreender a fundo
o músico, o cientista e o poeta

De frias notas me alimento
-pesados fardos que carrego insone-
amargos frutos de um sabor intenso
que sorvo vorazmente qual ciclone

Ser pó, e tentar antes, ser homem
em meio à peste de um século podre
abandona-me o coração cheio de ânsia

Pois busco a verdade em lajes frias
para encontrar afinal apenas a antipatia
dos cadáveres do mundo e a sua ignorância

Dihelson Mendonça

Musical Thoughts

"A música de verdade está em toda parte. Ela é a própria vibração do cosmos, e que une tudo e todos. Os livros e a escola representam apenas a codificação do universo musical perceptível, técnico, que pode ser posto em papel ou outra mídia. É o topo do Iceberg, quando a grande imensidão da música não se encontra em papel algum. O músico pleno trabalha com formas abstratas. Tudo pode ser música, resta apenas que aprendamos a conversar e a buscar o universo na sua própria linguagem e perfeição."

Dihelson Mendonça

Pensamento

"O que eu penso, não é importante, mas o que eu sinto. No momento, Goethe, por exemplo, está para além da minha dor-de-cabeça"

Dihelson Mendonça

Pensamentos Musicais


"O grande problema da poesia, é que ela precisa ainda de tradução para a compreensão de outros povos, para outras linguagens igualmente terrenas e impuras, que sempre precisam ser aperfeiçoadas e reinventadas, o que nesse trajeto, sempre haverá perdas. A Música ao contrário, vai direto ao espírito sem tradução, desde o primeiro homem que existiu. Atinge cada ser vivente, até um pássaro, e este compreende com os sentidos. A música carrega já a mensagem na sua forma mais pura que chega ao espírito na sua própria linguagem: A vibração cósmica. Todo o universo vibra em múltiplas frequências, audíveis e inaudíveis. A maior parte da música é inaudível. Mas ela está aí e sente-se com o corpo e com a mente. A música é metafísica!

Como materializar o indizível para um papel ?
Ou melhor, quem precisa mostrar o óbvio ?"

Como já dizia Baudelaire...

Harmonias da Tarde

Voici venir les temps où vibrant sur sa tige
Chaque fleur s’évapore ainsi qu’un encensoir;
Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir;
Valse mélancolique et langoureux vertige!

Chaque fleur s’évapore ainsi qu’un encensoir;
Le violon frémit comme un coeur qu’on afflige;
Valse mélancolique et langoureux vertige!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir.

Le violon frémit comme un coeur qu’on afflige,
Un coeur tendre qui hait le néant vaste et noir!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;
Le soleil s’est noyé dans son sang qui se fige.

Un coeur tendre qui hait le néant vaste et noir,
Du passé lumineux receuille tout vestige!
Le soleil s’est noyé dans son sang qui se fige …
Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir!

Dihelson Mendonça

O Velho Olegário está ficando Louco !

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"O Homem que nesta terra miserável vive entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera" Augusto dos Anjos.

Quantas vezes você já deve ter ouvido essa frase...
"Nosso pai está ficando louco! Agora depois de velho, quer vender "NOSSO" patrimônio..." Na verdade, esse problema acontece em muitas famílias Brasileiras. Deixando de lado todos os métodos de escrita elegante e truques literários que eu ainda poderia ter guardado ao longo dos anos, de tal forma que esse artigo seria melhor escrito por pessoas mais aptas, como o nosso querido Dr. José Flávio Vieira... mas enfim, terão de se contentar com minha rudimentar forma de escrita. O importante aqui é a mensagem que pretendo passar.

Seu Olegário

Seu Olegário, ex-bancário experiente, desde cedo lhe ensinaram que nesta terra dura, só se consegue as coisas com muito esforço e sacrifício. Filho de pais pobres, agricultores, sem condições de enviá-lo às melhores escolas, o moleque Olegário, conhecido na roda de amigos pelo singelo apelido de "Gagá", pois sempre foi motivo de risos e piadas, era um desses rapazinhos tímidos, tipicos dessa gente do interior. Sem vintém, Olegário não conseguia as garotas que tanto amava em pensamento. Acalentava porém um defeito que depois se tornou uma obstinação: tinha mania de se apaixonar pela "chefe da torcida", aprendera a apreciar desde cedo os melhores pratos, as garotas mais belas, uma boa roupa, embora não tivesse a mínima condição de possuí-los. Da vida dura de agricultor, entre um prato de arroz com feijão e outro prato de feijão com arroz, Olegário começou a ter idéias de grandeza. Pensou consigo: "Irei para a cidade grande, estudarei e passarei num concurso para o Banco do Brasil"... ( numa época em que ser bancário do banco do Brasil era alguma coisa, render-lhe-ia prestígio, e um bom dinheiro ).

E assim o fêz. Estudou por conta própria em cursos por correspondência, depois arrumou uns empreguinhos mixurucas, e já tendo algum conhecimento, Olegário se lançou na sua missão de ser um bancário. E tão grande era a sua força de vontade, que ele passou logo de cara. Alguns até se perguntaram como aquele rapazinho vindo lá das "brenhas", conseguiu essa proeza, mas Olegário seguia seu curso incólume. Agora, já de gravatinha no banco, pensava nas grandes coisas que as pessoas normais de gravatinha e pasta na mão, normalmente pensam: Em construir uma família, dar uma satisfação à sociedade, ser um homem de bem, cumpridor dos deveres, ser um bom pai, um bom amigo, um bom marido, um cidadão de bem, aquele que planta um livro, escreve uma árvore e constrói uma família regada a todo o conforto que o diuturno trabalho lhe proporcionaria. Tinha porém uma nova filosofia: Não queria que seus amados filhos sofressem das duras agruras porque passara na mocidade.

Na realidade, Olegário, este devoto pai de família trabalharia como uma "Mula de carga", talvez por mais de 40 anos construindo um patrimônio, na esperança de ao final de uma vida cansativa, podusse realizar enfim, aqueles sonhos da juventude, quando sendo um jovem sonhador e besta nas horas de folga na enxada, em pleno sol de Novembro, pensara um dia em conhecer Paris, possuir uma residência num bairro elegante da cidade grande, comprar um carro novo, talvez quem sabe, casar-se com uma esposa carinhosa e ter filhos saudáveis e inteligentes...

...Acontece que a vida é um ciclo estranho!

O mundo dá muitas voltas, e após nosso herói trabalhar por mais de 40 anos, ou mesmo a vida inteira construindo o seu "futuro que nunca chegava", fazendo hora extra pra sustentar o "Luiz cláudio" agora na faculdade, para formar o "Henrique" em engenharia de Produção, ou mesmo a "Melina", garota sempre estravagante que desejava ser marchand em Nova York, vai este homem, outrora moço, sonhador, a encarar uma dura realidade que a maioria dos idosos do Brasil já estão acostumados:

Os maus-tratos por parte da família. A velhice em si, o afastou os amigos, muitos já residindo no cemitério, e Olegário finalmente começa a ver que todo aquele sonho de môço, de um dia conhecer Paris, de viajar pelo mundo, de ter uma velhice calma, está indo por água abaixo. Vê por exemplo, que o filho mais velho "Luiz Cláudio" após formar-se em medicina pela USP, mal o vê durante 3 anos. Apenas um cartão de natal barato chegou recentemente ao velho como prova de "Alta" estima e consideração. Vê, por exemplo, seu filho predileto "Henrique" após todo o sofrimento que o pai teve em bancar a sua universidade, mostrar-se um grande ingrato. Depois de formado, nem mais dá as caras lá pelo velho apartamento do Olegário, comprado em suaves prestações pelo antigo BNH, e já não aparece nem para tomar um café. Vê a sua amada filha Melina, tão bem cuidada na adolescência, frequentadora dos mais caros colégios da capital, hoje mulher distante, lá em Nova York, isolada, e quando muito telefona, ainda é para lhe pedir algum dinheiro extra para um projeto mirabolante do tipo "Agora vai, Pai! é o sonho da minha vida". Lá vai o velho Olegário a gastar as suas economias ainda com filhos...

Até que um dia, chegados os seus mirabolantes 65 anos muito mau vividos, Olegário, no auge da mesmice de uma vida em que passou 30 anos com a bunda pregada na cadeira do banco, resolve ter um infarto sem avisar aos amigos. Suas artérias já não são mais as mesmas afinal. Sua pele enrugada denuncia os muitos maus tratos que a vida lhe ofereceu. Seu reumatismo crônico e aquelas terríveis dores nas costas, devido a uma inconveniente hérnia de disco, o privam de dormir bem, passando a noite a rolar na cama, mudando de posição, para o "desconforto" da sua mulher que sempre reclama. Sua visão já é turva, seus ouvidos já não escutam muito bem, e aquele velho "tínitus" infernal adquirido do barulho no banco, lhe priva das boas audições das suas músicas prediletas.

O velho Olegário então, no auge deste conjunto de coisas, resolve tomar uma decisão radical. Pensa consigo mesmo: "Meus filhos já estão crescidos. Todos já estão casados, já os formei, forneci a cada um meios de sobrevivência própria, já construíram até suas famílias. O que devo fazer, agora que a velhice me atormenta ? Já sei! Vou aproveitar os últimos dias que me restam e desfrutar do trabalho de uma vida, em que sustentei essa cambada de filhos ingratos, que como passarinhos, só precisaram de mim com o biquinho aberto para receber. Vou vender a casa da Praia, que só me dá prejuízo na manutenção e quase nunca se vai até lá. Vou vender a casa da Serra, pois não nos serve mais, já que moramos nesse apartamento no centro para minhas sessões de fisioterapia e estar mais próximo das clínicas de atendimento de urgência. Vou vender tudo que não me é útil, POIS COMPREI COM O SUOR DO MEU TRABALHO, e vou enfim, antes de morrer, realizar meus antigos sonhos de juventude: Vou conhecer Paris, vou viajar, vou aproveitar meus últimos dias na terra com dignidade e fartura.

Comunicada a sua decisão à família, Seu Olegário é tradado com total desprêzo, desdém e desconfiança:

"Gente... Nosso Pai está ficando louco! Pirou de vêz! ele quer tirar "NOSSA" herança, e gastar em "Futilidades" como viagens a Paris. Papai tá louco...
Henrique, o mais velho diz:
"Pai, que idéia de jerico é essa, de viajar para a Europa? falta algum dinheiro para o senhor comprar seus remédios para o coração, falta ? "
Já outro diz:
"Nosso pai a esta altura, só pode estar com o Mal de Alzheimer. Essas idéias são absurdas. Acho bom internar papai numa clínica, gente!"
A filha mais nova diz:
"Mas não podemos internar papai na clínica até ele assinar os documentos nos passando TODO o patrimônio. Afinal, essa é nossa herança e iremos lutar por ela..."

O velho Olegário ainda tenta se defender:

-- Essas coisas todas são minhas! Eu construí com o suor do meu rosto. Posso vender na hora em que bem entender. Quanto de vocês está investido nisso aqui ? Aonde vocês estavam quando eu ralava no caixa do Banco pra sustentar os estudos de vocês nos melhores colégios?"

-- Papai, o senhor precisa de repouso. Olha, cuidado com o Infarto! Já pensou se o Senhor está lá na Europa e tem um infarto em pleno champs elysees ?

-- Eu morreria tranquilo. Bem melhor do que estar perto de sanguessugas como vocês, que passaram a vida sugando do meu trabalho.

Passados alguns dias, a família secretamente, decide em reunião:

-- Olha, gente, o momento de agir é agora! Papai demonstrou claramente que agora no fim da vida está com umas idéias mirabolantes. Quer viajar, quer vender nosso patrimônio... e quem vai cuidar dele?

Todos se entreolham. Um diz:

-- Eu não posso! já tenho coisas demais para tratar.
Outra ainda acrescenta:
-- Eu também não posso. Preciso estar em Nova York na segunda-feira para concluir um grande negócio.

Passados os dias, chega uma ambulância com homens fortes, todos de branco à porta:
-- Viemos pegar o Senhor Olegário!
O velho Olegário ainda tenta fugir, mas é impedido por uma ampola braba de Sossega-Leão.

Hoje em dia, o velho Olegário, que passou a vida lutando para criar seus filhos, tornou-se refém deles. Vive numa clínica para idosos, internado, jogando baralho e relembrando seus antigos sonhos de juventude. Nada de Paris, nada de viagens, nada de viver a plenitude da vida. Agora, sua rotina é olhar pela janela esperando o fim dos dias. Uma rara visita de um dos filhos que lhe trouxe de Paris uma torre Eiffel de alumínio, brinde de uma grande compra de roupas em uma loja. Já outro filho, vez por outra lhe visita, e traz os filhos para conhecer o vovô Olegário. Um dos netos fala para o irmão "Cuidado com o vovô, não toca nele. Ele é doido!"

E o agora vovô Olegário passa os últimos dias olhando pela janela, até que numa bela tarde de Abril, sem avisar, vem a visita da "mais indesejada das gentes", a morte lhe toma os últimos soluços neste mundo. Morre o velho Olegário, e é sepultado. Os filhos...

Ah! os Filhos... estes não puderam comparecer. Estavam muito ocupados...
...para um simples entêrro.


Por: Dihelson Mendonça.

Poetas, Pássaros da Noite...



"Carpem nas sombras pássaros ascetas; Cantam poetas, pássaros da noite..."

"Poetas são pássaros disfarçados de pessoas! Eles moram nos galhos das árvores mais altas, donde podem tocar todo o céu com a ponta dos dedos, e apanhar um punhado de estrelas que atiram aos pés dos homens, velando a sua existência, e dando-lhes música em forma de sonhos."

Abraços,
...e Boa Noite...

Dihelson Mendonça

EFÍGIE


EFÍGIE

Dedicado a Correinha


Pela espinha dorsal do tempo
Vejo hoje o homem interior que sou
E brigo com uma realidade fantástica
Daquele que, nas tênebras, vê a própria morte no ar!

Os olhos fitos através do teto,
Um gosto aziago já se faz na garganta,
O cheiro da terra parece bem mais perto,
E toda a natureza testemunha no esplendor da tarde.

Verdes folhas a crepitar no amarelo
reluzente do ouro, e o azul sereno do céu
a tecer o meu futuro breve
-- esta será minha última noite! --

E então serei arrastado pelas mesmas pessoas
Há quem entoe para mim as ladainhas
Proximo a um corpo inerte
Pois sei que meu caixão já está encomendado...

Tambem meu corpo assim padece,
Que mais há de fazer nesta terra miserável ?
Debalde verti a mocidade em sensações efêmeras
E consumi a velhice em lágrimas de arrependimento !

Amanhã, pois, serei um.
Apenas mais um.
Um corpo fétido a poluir o cemitério
Hoje, valorizo a sepultura
A passar antes de mim vi muitos, hoje é meu dia
...e de meus companheiros de morte.
...
Nada mais há para dizer !
A tristeza jaz no ar convulso.
A noite se aproxima...
A hora derradeira se aproxima...

Afinal, que mal há em ser apenas uma lápide ?
Mais uma lápide ?
E me contentarei em ser inerte como o mármore.
E serei recompensado pela paz dos cemitérios

Que diferença jaz entre o momento atual e a hora
em que hei de passar ?
Que diferença há entre o teu e o meu momento
em que escrevi essas linhas ?
Sob um prisma de visão, o ontem é o hoje, e
o hoje, o amanhã. Se hoje, portanto morri para uma vida,
Amanhã ressucitarei para ser eterno dentro de um poema ?
...por um breve momento apenas...
...por um breve momento... e nada mais !


Dihelson Mendonça

PESARES - Dihelson Mendonça



PESARES

( Dedicado a meu amigo e poeta Antonio Sávio )

Apesar de tudo, dos sentidos que aguçamos
como o limar de uma grande rocha sem fim
permanece inda o opaco brilho sobre os olhos
cravados em nuvens e paisagens dentro de mim

Sobre a gleba insana rastejam as borboletas
de vaidade pura nas asas,- pobres delírantes -
voam também por sobre as nuvens, elefantes
...pois nada mudou, nem manterão tais silhuetas

Não ao mesmo sol a vazar sobre as arestas
das frestas podres e de fendas à minha porta
corta a faca, corta o tédio, corta a testa
corta a planície, cortam serras sotopostas

Viver das migalhas de uma realidade
que ora me escapa por entre os dedos rotos
rastejar-me de medo, - infelicidade -
carregado de segredos em mundo ignoto

Da plenitude bela de uma vida instante
à abjeta dualidade residente dentro de mim
passam-se os dias, passam-se os meses, passam-se os anos
em mares de tristeza eterna... e que já não têm mais fim!


Dihelson Mendonça

( basedo no poema Pesares de Antonio Sávio ).

O Apagador de Monturos

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As mãos que tocam uma Sonata de Chopin
hoje empunharam um balde
Mãos que antes estudavam 10 horas por dia
hoje ficaram cheias de calos tentando apagar fogo
- de monturo - dos idiotas da cidade.
As mãos que hora após hora buscavam
a independência dos dedos
Hoje empunharam uma pá
Os olhos e ouvidos para uma partitura
hoje se encheram de fumaça
e os pulmões que antes respiravam música
hoje se intoxicaram de lixo
...
Mas as mãos que apertam teclas,
tambem sabem apertar gatilhos
Mãos que seguram bebês
Também sabem estrangular os canalhas do mundo
Bocas que entoam cânticos de paz
Também sabem bradar a guerra quando necessário
E olhos que contemplam a natureza
Também sabem denunciar,
E as mesmas mãos que salvam vidas
Também são capazes de afundar o crânio das larvas
As mãos que afagam os cabelos da amada
também sabem destruir
E as mãos que seguram hoje baldes para apagar o fogo
Também podem tocar fogo nesta cidade imbecil
Como Nero fez em Roma !

Dihelson Mendonça

Poema Pomposo Para o Policial Nijair Pinto




[ Dedicado ao poeta Nijair Pinto ]
- Poema pra ler com a boca cheia de farofa -


Nijair Pinto, pomposo poeta, pinta pitorescas paisagens
cheias de Pintassilgos piantes em poemas palacianos

Passando perto desses pássaros
paro pra pensar nas parcas
possibilidades destes pobres pintassilgos
poderem parir outros tantos pintos como Nijair assim os pinta

Pode acaso o peito patriota do poeta
apontar poemas cuja plumagem pareçam pássaros pintos ?
Podem as pedras parirem pães ?
Pode acaso do porto prisoneiro
o navio pesqueiro aportar perene em positivas peripécias ?

Decerto que não!
Do impoluto peito do policial
que puxa da pistola na periferia
ao permissível perímetro pulsante do planeta,
postam também nos pútrefos papiros,
os pianistas as suas partituras poéticas,
a privar o povo do processo precário de nunca poder pautar
a sua própria pompa nos preciosos pátios
das primaveras prateadas de Paris...

Por isso pinto o Nijair à minha própria maneira e partitura,
pontilhando pingos de tinta preta que respingam
aqui e acolá no papel pautado podre

Procurando poder pensar sempre
que no poder das palavras permanente
passam os sonhos do pássaro mais extinto
é que os pobres pintassilgos ainda piam
enquanto nas noites plúmbeas, rodopiam
na pluma e na pena... do Nijair Pinto


Por: Dihelson Mendonça
( Acho que a fumaça do lixo me intoxicou )

Um Poeta Dihelzepínico



UM POETA DIAZEPÍNICO

( Dedicado a José do Vale )


Sou o poeta mais diazepínico que conheço
Meu lexotan vem antes do muro de berlim
e todo mês em fila eterna eu permaneço
buscando um papel azul a prorrogar meu fim

Já nem sei mais quem mais escreve,
se eu mesmo ou o Bromazepam na veia
na calma dos eucaliptos uma semibreve
é a mais rápida aranha a tecer sua teia

Mas sei que não sou ainda um viciado
decerto, do mal liberto-me preciso
em que assim o desejar, hei declarado

Em correntes infernais, como a um louco
prenderam-me a um arcabouço de um sorriso
Para que em pequenas doses, morra pouco a pouco!


Dihelson Mendonça

Gênios da Música Moderna - Herbie Hancock


"Só há um Herbie Hancock no mundo. O resto é imitação da coisa real"

Chick Corea - 1979

Esta é uma pequena homenagem a um dos criadores da música eletrônica moderna. Praticamente, o inventor do Fusion, que é a mistura do Rock com o Jazz! É até desnecessário frisar a importância de Herbie Hancock no panorama da música moderna ocidental. Herbie conseguiu alterar a história da música, e influenciar não só a sua geração, como formou escola, e em praticamente todos os países do mundo, músicos de diversas correntes e estilos musicais o têm na conta de Ídolo. Tanto pelas inovações no Jazz/Rock introduzidas já na banda do Miles Davis, que o descobriu, seja nos seus trabalhos solos, em que juntamente com Miles, firmou o gênero Fusion, que serve até hoje de substrato para todas as grandes produções musicais eletroacústicas de vanguarda.

Nesse vídeo de 1975, Herbie Hancock, improvisa em uma de suas mais conhecidas composições, Cameleon, e já demonstra idéias musicais melódicas e acordes de substituição que só viriam a ser absorvidas por outros, décadas depois. Aliás, diga-se de passagem, Herbie foi talvez o primeiro a compor uma música baseado em Harmonia quartal, bastante conhecida, chamada "Mayden Voyage". E seja no piano elétrico, como no acústico, está sempre inovando e seus trabalhos estão anos-luz de distância. Geralmente incompreendido mesmo pela crítica especializada, seus trabalhos só conseguem ser melhor apreciados, às vezes anos depois de ter sido realizados. Seu "swing" e toque balançado se tornaram uma marca registrada.

"Não é que o som do Herbie parece com a música dos anos 70 e final dos 60. O som da década de 70, com a black music, o balanço, o uso de sintetizadores, é que veio com o Herbie Hancock. Depois, o mundo simplesmente o seguiu! "

Dihelson Mendonça

Herbie Hancock

Herbert Jeffrey Hancock nasceu a 12 de abril de 1940 e começou a tocar piano com sete anos; logo se tornou um prodígio, ao solar o primeiro movimento do concerto de piano de Mozart com a Sinfônica de Chicago aos 11 anos. Depois de estudar na Faculdade de Grinnell, Hancock foi convidado por Donald Byrd em 1961 para integrar o seu grupo em New York; logo em seguida a Blue Note lhe ofereceu um contrato para gravar o seu primeiro álbum "Takin Off".

Em maio de 1963, Miles Davis o convidou para participar de seu quinteto e por lá ficou durante cinco anos, tempo esse em que absorveu as influências do mestre, deixando o piano acústico e aderindo ao piano elétrico Rhodes. Ao mesmo tempo, sua carreira solo continuava na Blue Note, criando composições sofisticadas para os álbuns "Maiden Voyage", "Cantaloupe Island", "Goodbye to Childhood" e o primoroso "Speak like Child". Ele também gravou em muitas sessões produzidas por Creed Taylor e elaborou sua primeira trilha sonora para o filme "Blow Up" de Antonioni.


Tendo deixado a banda de Davis em 1968, Hancock gravou o álbum funk, "Fat Albert Rotunda" e em 1969 formou o sexteto Headhanters, grupo de jazz-rock que utilizava desde o sintetizador de Patrick Gleeson até os seus Echoplexed, piano elétrico e clavinet, instrumentos que tornaram as gravações mais espaciais e ritmicamente mais complexas, criando um espaço bem personalizado na vanguarda musical. No grupo, todos os nomes dos músicos foram vertidos do inglês para o africano (Herbie era Mwandishi). Em 1973 Hancock se separou da banda e passou a estudar o budismo, tendo como meta final tornar as platéias mais felizes. Hancock gravou vários álbuns eletrônicos com qualidade superior nos anos setenta, mas se recusou a abandonar o jazz acústico. Depois de uma reunião, os ex-integrantes do Miles Davis Quintet (Hancock, Ron Carter, Tony Williams, Wayne Shorter, com Freddie Hubbard no lugar de Miles) se apresentaram em 1976 no Newport Jazz Festival de New York. No ano seguinte eles excursionaram com o nome de V.S.O.P.

O grupo continuou se apresentando esporadicamente até 1992 e depois da morte de Williams em 1997 não existe mais nenhuma possibilidade de um novo retorno. Hancock continuou seu estilo camaleônico nos anos oitenta: lançou na MTV em 1983 um single "Rockit" (acompanhado por um vídeo notável); lançou em 1986 ao vivo o álbum "Jazz Africa" com o virtuoso músico gambiano Foday Musa Suso; montou diversas trilhas sonoras, entre elas a de "Round Midnight" com a qual ganhou o Oscar; e tocou em festivais e excursões com os irmãos Marsalis, George Benson, Michael Brecker e muitos outros. Depois do álbum tecno-pop de 1988, "Perfect Machine", Hancock deixou a Columbia e assinou um contrato com a Qwest onde fez somente "A Tribute to Miles" em 1992. E finalmente, assinou com a PolyGram em 1994 para gravar jazz pela Verve e álbuns pop pela Mercury. A curiosidade, versatilidade, e capacidade de Hancock continua crescente, sem nenhum sinal de fraqueza, como atesta o Grammy conquistado em 1998.












Discografia:

1962 Takin Off Blue Note
1963 Inventions and Dimensions Blue Note
1963 My Point of View Blue Note
1965 Maiden Voyage Blue Note
1968 Speak Like a Child Blue Note
1969 Fat Albert Rotunda WEA
1970 Mwandishi WEA
1973 Head Hunters Sony
1977 V.S.O.P.: The Quintet Sony
1981 Quartet Columbia
1986 Jazz Africa (live) Columbia
1993 An Evening With Herbie Hancock and Chick Corea Columbia
1995 New Standard Polygram
1998 Gershwin World Columbia
2002 The Herbie Hancock Box Columbia/Legacy

Fontes: Biografia - Clube do Jazz
Capas e fotos: website oficial: www.herbiehancock.com
Aprenda mais sobre Jazz e Música Instrumental Brasileira. Visite www.portaldojazz.com

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O Natal de um Poeta Louco - Por: Dihelson Mendonça


O Natal de um Poeta Louco - Por: Dihelson Mendonça

[ Dedicado a Wilson Bernardo ]

Pediram-me para dizer algumas palavras belas sobre o natal...
Que posso eu dizer de belo diante de tantos milagres literários traçados por meus compatriotas?
Posso eu acrescentar algo de novo que alguém muito mais genial já não o tenha dito de forma infinitamente e inescrupulosamente superior ? Que fábula poderia eu ainda inventar para tentar mascarar a profunda dor que esses dias finais de ano me trazem ?
Serei assim tão máquina a ponto de não saber desejar um mísero Feliz Natal a alguém ?

Não serão pinheiros natalinos cheios de bolinhas vermelhas, nem a visão de um velho maluco vestido de rubro ( e que nunca nos traz presentes ), que irão aquecer este velho coração desencorajado por tantas incertezas!

Mas pediram-me para ser alegre no discurso!
Pediram-me para falar de esperanças. De dias melhores, de um mundo melhor.

Penso em quantos sonhos malfadados ainda terão que ser massacrados pela dor da realidade e por homens tão mesquinhos. Projetos que salvariam vidas, que curariam doenças, que trariam a verdadeira paz para a humanidade, que mudariam incrivelmente a paisagem do planeta. Meu sorriso de canto de boca já começava a se abrir, e logo penso nas criancinhas que deus esqueceu lá na África, sem presentes e sem comida. E Penso na possibilidade de um deus que necessita ser constantemente adorado e louvado pelos séculos dos séculos sem nunca saciar a sua própria fome de adoração.

Mas pediram-me para ser alegre!

Daí penso nas infinitas possibilidades daqueles que tendo a crença mais profunda, jazem hoje em largas covas a poluir os cemitérios. Nada há que ressucite o homem que não o próprio homem. E nem que prive o ser pensante de uma morte inexorável e sobretudo, lenta. Falam-me de justiça. Esta me é falha em todos os sentidos. Olho para a rua e vejo crianças a apedrejarem um gato até a morte. Reflexos de uma infância feliz e memorável de ensinamentos. Justiça divina: E vejo homens bons sendo torturados por atrozes catástrofes, e os maus cavalgando na sua leviandade. Reverenciam um suposto homem que supostamente teria sido um suposto deus que supostamente se materializou em forma humana para redimir toda a raça humana de supostos crimes supostamente considerados divinos e que supostamente ressucitou e os salvou.

Acreditam em um pai torturador que estabelece 10 coisas que se você não as fizer, ele te joga em um poço de fogo e enxofre onde haverá choro e ranger de dentes, para os séculos dos séculos, para ser torturado, queimado, destruído eternamente se não se dobrar aos seus joelhos...MAS ELE TE AMA! Ele te ama e precisa do teu dinheiro: homens nomearam-se para recolher os tesouros de deus com cartão de crédito, data do vencimento e contas bancárias para o reino dos céus! Mas é Natal - tempo de Dar e Receber !

Pediram-me para ser alegre!

Pediram-me também para falar das coisas belas da vida.
E eu falo do fim de ano, fim de existência, fim dos tempos.
Fim de tudo, tempo de ser hipócrita como nunca fui durante todo o ano, apertando a mão de quem não conheço, desejando feliz ano novo aos meus inimigos, e fingindo alegria nos olhos, quando meu coração chora convulsivamente durante as explosões de ano novo.

Menos um ano de vida!
Menos caminhos, menos horas deleitosas. Estraguei minha juventude e consumi a velhice em lágrimas de arrependimento. Sou mais mortal a cada ano que passa. Quem dera fosse um "João Grilo" ? Mas nesse ano morri também de todas as formas possíveis. E cada vez mais, ainda que involuntariamente, desejo ser o que sempre fui: O espectro do que sempre pensei ser. Pensando que sou quem não desejo ser, me consumo em um sonho que alimentou minha alma. Já nem sei quais são meus pensamentos diante de tantos outros que afloram à minha cabeça. Serão meus de fato ? Quantas cópias de mim tingem a minha consciência para aterrorizar-me neste canto de noite, neste canto de quarto minguante ? Antes fosse a mera imaginação a criar monstros de pedra. Mas agora, eles são todos meus e reais! Mas é Natal, posso pelo menos pedir que dinossauros não me atormentem...

Todo fim é triste, e o homem tem apenas o fim, nunca o comêço!
Vejo tantos quantos a dançar a dança das virtudes sobre uma tábua a 8000 metros acima do solo sem saber do abismo que os circunda. Loucura ? talvez não. A vida jaz nesses pequenos arroubos de loucura, para aqueles que são mentalmente sadios. Vivamos pois, na loucura de um sonho que nos embala, antes que acordemos. Antes que nos demos conta de que nossa viagem de carrossel chegou ao fim, já que muitos de nós não estarão a girar no mesmo carrossel no ano seguinte ( possivelmente eu também ), o que não significa absolutamente nada diante do todo.

Quão bom é ser alegre! Crer numa feliz existência após a morte. Tento me enganar com a mais ferrenha das crenças, mas meu coração já não é de um simples. Já não sou talvez digno de sentar-me à mesa dos meus semelhantes tão puros, e contemplar a face de deus frente a frente. Eu lhe ensinaria verdades que ele próprio desconhece! E assim, enquanto passa a turba louca, em meio a alegria insana, eu mero espectro a observar, como um vulcano prêso à lógica fria, sem alegrias, nem tristeza. Sem Natal e nem porvir. Pois tudo não é mais que uma mera ilusão que pintamos de verde, vermelho e de roupas belas para comemorar o drama de nossa própria loucura!

Mas, pediram-me que eu fosse alegre:
Feliz Loucura! Feliz Ano que Passou !

Dihelson Mendonça

Homenagem - O daguerreótipo - Por: Marcos Leonel

Para Valquíria foi fundado
O imediato monumento movediço
Entre o nascer e o pôr do sol
A narcose da história provisória
Construía e desconstruía em devoção
Laços de lascívias civilizadas
Em uma linha de produção impecável
Com referentes empacotados em pactos
E signos enlatados em latências
Com prazo de validade estável

Ela não quis e preferiu um
Canteiro de obras que imanava
Corredores e intumescia o derredor
E fazia chover gasolina em um pasto deposto
Nas retinas opostas das vacas canonizadas
Vapores moviam motores em
Diacronia e sincronia placentária
Ela contemplava esse novo atavismo
E ofertava os resíduos para sua prole
Em um templo erguido na sala de estar

Ela não quis e preferiu combater
A solidão com a solene transição
Dos metais preciosos para o cartão de crédito
Com a degradação dos degraus a
Linguagem tornou-se autônoma e surgiu
A necessidade de venda para os olhos
Para um sono tranqüilo surgiu antagônica
A necessidade remarcada do escuro
Tudo precisa ficar imóvel entre a
Mobília e a paisagem imobiliária


Poema dedicado a Dihelson Mendonça
Um conhecedor transcendental da
linguagem secreta da música

Poema de agradecimento para o Marcos Leonel



...Já o meu coração, sim,
poderá ser uma poça de
iluminados elefantes
que colhes com lábios amarelos,
para destrinchar a touceira de sonhos
machucados por meus pés de ar
que a solidão das ladeiras
pisam o infinito marron
dos teus saborosos desaforos.
...
E aprende-se muito no desaforo de um Poeta...

Dedicado ao Poeta Marcos Leonel em retribuição pelo "daguerreótipo" que recebi no Natal. Aliás, hoje em dia é mais valioso um daguerreótipo que uma máquina fotográfica digital.

Abraços,

Dihelson Mendonça

O Leão de mágicas garras - Por: Domingos Barroso


Para Dihelson Mendonça


Um leão
dos olhos duradouros
e juba translúcida
tocou-me o coração
com suas mágicas garras
que não rasgam o ventre do inimigo
mas se debruçam sobre as teclas de um piano
e do seu som estrelas se confundem
com vaga-lumes do Masai Mara.
Um leão
que sabe levitar
quando o árido solo
insiste em firmes pegadas.
E em nuvens
com seu urro sinfônico
pulou-me sobre o peito
matando-me de susto
e encantamento.

Pensamento

A Música e a Poesia

"A maioria dos "intelectuais" da nossa era cultua mais a poesia do que a música-Arte, simplesmente porque compreender a música exige muito mais do que os olhos, e está num patamar acima da maioria dos intelectos. Não se pode valorizar aquilo que não se compreende!"

Dihelson Mendonça

Trabalho bem Realizado - Por Emerson Monteiro


Considerações a propósito do álbum “A Busca da Perfeição”, de Dihelson Mendonça.

Dizer que a vida se mostra na arte representa contar da força do artista a movimentar lá fora a paixão que lhe corre nas veias e sai intensa pelas estradas dos lugares, no prumo dos outros seres, ânsia infinita de realizar o poder esplendoroso do mais perfeito de dentro de si nas praças. Expandir o senso da luz nos outros corações. Partilhar as maravilhas do instante em gestos circunstanciosos, magnânimos. Lembrar aos demais que há vertentes puras ainda inexploradas no mistério do existir da alma de cada gente. Vem nestas expressões o gosto da fala no trabalho posto a lume pelo artista caririense Dihelson Mendonça, seteinstrumentista que, assim, lavra mais um tento da história regional de trabalhos esmerados, nos moldes da contemporânea tecnologia de som e imagem, edição correta da Expressão Gráfica, de Fortaleza, em alto padrão, reunindo nomes festejados das comunicações, letras e artes visuais deste tempo de agora.

Trata-se de bloco de poesias declamadas por vozes conhecidas, próprias, coloquiais, seguidas ao piano por Dihelson e outros músicos, num livro ilustrado com belas fotografias e letras intercaladas, poemas de cunho intimista, de autores inspirados na propulsão dos acordes.
Qual espetáculo que agrega, em amostra saborosa, o universo dos artistas numa proposta efetiva, na boa hora de suas caminhadas em demanda do endereço da eterna Perfeição, o Santo Graal do absoluto desejo, acercando-se do trato de amigos e peças, colhidos ao sabor das situações de procura, brotadas no enorme quebra-cabeça da existência pelos páramos da invenção de letras e acordes de natureza especial. Nisso, Dihelson contou de perto com os préstimos bem sucedidos de Reginaldo Farias, no projeto gráfico, e Pachelly Jamacaru, na elaboração fotográfica. Na trilha sonora, os instrumentistas somam talentos e estabelecem as linhas infinitas da busca, caravana que se desloca ao ritmo dessa viagem através do território mágico da criação, de cores e tons, nave a fluir na brisa dos espaços do sonho. Espécie de novidade que alegra ao chegar em cada porto. A qualidade do produto merece destaque, vista a clareza visual, musical e literária.

Nosso mundo interiorano do sertão guarda, por tudo isso, patrimônio inestimável de cultura digno de abordagem mais justa, considerada nos trabalhos do campo acadêmico, enfoque de nomes e ocasiões que aqui nascem, crescem, manifestam seus atributos, marcando o definitivo do manancial de vitalidade que alimenta o panorama do global patrimônio comum da espécie humana. Eis disso um novo exemplo neste livro musical poético. O patrocínio da obra coube ao Centro Cultural Banco do Nordeste, dentro de sua política de valorizar a cultura e desvendar possibilidades.

Postado por Emerson Monteiro

Monumento


"Quem é teu próximo ?"

"Certa vez, decidi construir um monumento ao meu próximo. A aquele que nunca me abandonara nos momentos mais difíceis da existência. A aquele que se necessário, trocaria sua vida pela minha. A aquele que nas horas cruciais por que passei, nunca me deixou na mão, e esteve sempre torcendo pelo meu sucesso; Que me amparou e me amou; Que veio ao chão, e que se levantou comigo; Que foi à guerra e que enfrentou todos os meus dragões... Ao concluir tal monumento, vi que estava diante da minha própria estátua..."

Dihelson Mendonça


Os tempos Modernos - Crato na Era da Informática

O Poder que temos em mãos, e o efeito sinérgico dos Blogs


Uma visão Particular

Às vezes, a gente se espanta com o que tem nas mãos...

Daqui de onde estou, há 3 monitores de LCD quase sempre ligados, de onde acompanho o que se passa no mundo. Um ligado na CNN, Uol, BBC. Outro ligado em vários outros Blogs, e outro para e-mails e postagem no Blog do Crato. Vivo trancado num complexo de aposentos que não sei se moro num estúdio, ou em quartos cheios de parafernálias eletrônicas. Mas sempre foi assim, desde que mundo é mundo.

Minha alma reside em algum HD desses muitos que se espalham pela bancada. Me acostumei a dormir quando é conveniente, ficar quase 48 horas ligado, e dormir por 8 horas seguidas. Sempre tive insônia, e acho que o ser humano deveria poder ficar acordado dia e noite sem sofrer consequências. Infelizmente, comigo isso não é possível. Se nao durmo pelo menos 6 ou 7 horas por dia, perco a criatividade, memória, bom humor e por aí vai...

Mas deixando essa coisa de lado, eu quero dizer que neste mundo aonde só tenho noção do tempo lá fora, se é dia ou se é noite há 20 anos, me surpreendo às vezes com o poder que tem essas coisas que chamamos de Blogs. Hoje mesmo, vejo isso, com a notícia da expulsão dos quadros do PT da historiadora Alessandra Bandeira. Na verdade, ainda não dormi de ontem para hoje. A matéria foi escrita lá pelas 3 da manhã e colocada no Blog do Crato. Quando o dia amanheceu, já estava em vários Blogs do Cariri, tais como o CaririCult, o CaririCaturas, o CaririAgora, e outros. A repercussão de um assunto fica multiplicada, quando se unem os Blogs em torno do mesmo tema. pude sentir isso hoje em grau maior, pela primeira vez nesse muito tempo.

A repercussão nas ruas do crato nesse instante, está grande. Recebi vários telefonemas e e-mails das pessoas relatando que é um dos grandes assuntos em pauta na cidade. Conseguimos com esses Blogs, um feito inédito: Um poder de informação jamais visto no Crato em jornais impressos. Juntando os Blogs da cidade, temos talvez milhares de pessoas que tomaram conhecimento. Antigamente eu andava pelo Crato e quase sempre, ninguém nunca havia ouvido falar em Blog do Crato. Hoje, é difícil encontrar alguém que não conhece, não tenha ouvido falar, ou mesmo não leia. Estão lendo! Ontem mesmo, na corporação da polícia do Ronda do Quarteirão, encontrei vários policiais que lêm constantemente, e assim é sempre para onde a gente vai. Até em Fortaleza, os patrícios estão sabendo do que acontece na cidade. Temos leitores na Califórnia, no Japão, na Itália, na Índia, em Nova York, Paris, Londres, Barcelona, Portugal, Alemanha, etc...

Eu sempre gosto de contar a história do meu primeiro contato com um computador em 1982 ( Hum mil, novecentos e oitenta e dois ), quando vislumbrei um mundo interligado por essas máquinas. Depois veio tudo, projeto Cirandão, TK-85, TK-90X, MSX da Gradiente, modens de 14.400 , PC-XT, 286, 386, 486, pentium 100, Pentium 233, 300, 600, Athlon XP 2000, 3000... e agora quero uma nova máquina com processador Intel Core i7 - 975. Aonde iremos parar ?

Os caminhos da informação não tem fonteiras. lembro-me da minha velha BBS em Crato, com 2 linhas de telefone e 120 usuários em 1993. Era tudo tão moderno... Veio a Internet. Vi surgir o Google, Yahoo, Alta Vista, Dell, Compaq, Windows 95, 98, XP, Vista, Windows 7... Vi empresas sumirem do mapa e serem incorporadas, Adobe, Aldus, RealAudio, lembro-me quando eu digitava nomes de grandes artistas como "Frank Sinatra" no Alta Vista e vinha 5000 ocorrências, hoje tem 9.260.000 ocorrências na Internet. lembro-me que a aldeia global era pequena, eu conhecia muita gente de outros países que acessavam internet, porque não existia tanta gente para se esconder totalmente. Lembro-me de uma época em que eu praticamente não acessava sites brasileiros, pois haviam pouquíssimos. Era tudo em inglês, fóruns, grupos de discussão, etc.

E isso eu imaginei para o Crato: Que tal, se um dia nós tivermos uma rede tal que cada casa do Crato tenha alguém conectado na Internet, e sabendo de tudo que se passa na cidade ? Este dia não está muito longe!

Como falei, hoje fiquei espantado com a rapidez na velocidade da notícia, e no comportamento do povo, que definitivamente, incorporou a internet nas suas vidas. Hoje temos nossos Notebooks, Celulares 3G e Pads, que levamos ao supermercado para continuarmos conectados ao sistema.

Estamos diante de uma nova realidade, assustadora e que precisa que comecemos a repensar conceitos, a fim de que, como todo poder, possa ser usado para o bem da humanidade. Se nós iremos conseguir obter esse controle, ou se a máquina irá nos engolir, só o futuro nos dirá. Só sei que os novos tempos, aqueles que pareciam uma brincadeira tecnológica, hoje definitivamente, me assusta, mais do que empolga.

E pensar que muitas dessas coisas que hoje colhemos no Crato, surgiu como uma simples brincadeira em 2006, com meia dúzia de amigos...

Por: Dihelson Mendonça

Narcisismo

"Come o teu próximo COMO a ti mesmo"

Dihelson Mendonça

Um Pensamento...


"Não há nada que traga mais religiosidade ao homem, e até às pedras, do que o medo da Morte ou a proximidade do fim. A morte tem o dom de transformar lobos em cordeiros e demônios em santos. Não pelas suas virtudes, mas pelo velho e simples terror de perder-se."

DM

Foto da Noite: Crato - Vista Noturna - Dihelson Mendonça



Magnífica visão da nossa cidade, o seu brilho sobe até as estrelas...
Terra de heróis, revolucionários e celeiro de artistas.
Temos uma cultura independente, marcante e descentralizada da metrópole.
No crato é que se constróem idéias e ideais nobres.
Não se idolatra o comércio da fé, aqui se respira poesia e filosofia, além do ar puro que a nossa mãe Chapada do Araripe nos proporciona.
Enquanto o cariri queima a 45 graus, nossa temperatura é 10 graus a menos!
Não temos vocação de mercadores de peixes nem de santinhos.
Temos vocação de ATENAS, não de ESPARTA.
Crato tem história pra contar, Crato é o centro intelectual do Cariri, a quem todas as outras cidades tem que dobrar os joelhos e se deleitar com nossa cultura, nossa história e nossa luta que é nobre!

Foto: Dihelson Mendonça

De Nova York a Nova Olinda - Os Blogs como veículos de Utilidade Pública


Que a tecnologia abriu os horizontes da informação, mudando as perspectivas e opiniões, não restam mais dúvidas. Muito se tem escrito sobre isso ultimamente. A questão que trago agora, são mais específicos: Os Blogs.

Os Blogs surgiram como pequenos diários virtuais, quase todos pessoais, onde se proliferou de forma incrível entre as mocinhas, que gostam de desenhar aqueles corações, bonequinhas róseo, e aqueles poeminhas que toda adolescente gosta de escrever quando estão apaixonadas e se deparam com as primeiras dificuldades da vida. Blogs eram diários. Este é obviamente um estereótipo. Talvez derivados dos antigos murais, que foram uma febre na internet por volta de 1998, onde qualquer site que se prezava tinha seu mural. O mural representou uma forma muito democrática dos povos primevos ( essa palavra é demais...! rs ) terem acesso fácil nas duras Home-Pages que mantinham o monopólio e o controle absoluto. Na maioria das vezes, essas Home-Pages representavam o primeiro acesso ao mundo virtual, pois era a fachada das próprias empresas de prestação de serviços de internet, conhecidos como "provedores de acesso" ( uma coisa que vc irá contar para seus netos ). Então, esses murais por não ter muito controle, geralmente virava artigo de postagens pornográficas, veiculação política, anúncios de festas, desabafos, brigas, etc, mas foi uma forma bastante democrática da população participar dentro da tecnologia que existia.

Baseado na linguagem XML, que por sua vez derivou do HTML, o famoso código de que é feito a internet, surgiram os Blogs como uma espécie de mistura da facilidade de acesso dos Murais com a multimídia e o controle centralizado. Assim é que hoje, pela facilidade de acesso, construção, manutenção e muitas outras razões, é que na maoria dos casos, é muito mais prático se construir um Blog do que uma Home-Page, que em geral, é de difícil manutenção, além do fato de ser bem menos interativa, ou dessa interatividade carecer de um bom preparo das tecnologias de webdesign e de funções específicas dos servidores que a acomodam.

Portanto, nessa conjuntura, os Blogs são um passo além dos tradicionais websites, e talvez por isso haja essa explosão tão grande deles, aliados ao fato de que a internet só tende a crescer em volume de acesso. Cada cidade hoje, por sua vez procura divulgar as suas belezas, seus encantos, manter uma home-Page para seus turistas com informações, etc. Lembro-me bem que em 1994 já se poderia acessar diversas páginas da cidade de Nova York, com roteiros turísticos e outras informações. Hoje, não só Nova York, como até Nova Olinda possui seu website, e isso com certeza, revolucionou o mundo de uma forma nem sonhada por nossos pais.

Os dinâmicos Blogs das cidades, bem como seus websites ainda que mais estáticos, certamente que estão mudulando o mundo moderno, proporcionando rápido acesso à informação sobre suas cidades de forma nunca antes imaginada. E com a ampliação do acesso à internet em banda larga, o uso intenso de multimídia, e as novas tecnologias de voz sobre IP e sistemas de telefonia 3G e além, que garantirão acesso pleno à internet de forma constante por uma tarifa fixa, estamos marchando para cenários de total integração entre as pessoas, entre as cidades, onde nenhum lugar é longe e onde ninguém será inacessível. No presente, e durante algum tempo, entretanto, os blogs servirão de veículo principal de comunicação entre as pessoas de uma cidade, provendo informações, formando opiniões, promovendo o convívio social ( pelo menos a nível virtual ), e sendo uma extensão dos serviços de relacionamento, por oferecerem através de artigos escritos de forma técnica e com certa credibilidade, matérias que em nada deixam a desejar dos jornais impressos. E creio mesmo que num futuro breve, os grandes jornais em papel terão que enfrentar seu inexorável destino. Não posso garantir que seja o fim da mídia impressa, pois muita gente ainda gostará do papiro inventado pelos egípcios, mas que certamente a mídia impressa terá que repensar formas mais rápidas para concorrer com a extrema velocidade dos Blogs em termos de informação.

Por: Dihelson Mendonça
www.blogdocrato.com

Pensamento

"Minha esperança é que as mulheres bonitas se proliferem tanto, que as feias possam eventualmente, desaparecer"

Dihelson Mendonça

quinta-feira, agosto 27, 2009

BlogPoem: Lembrança Imortal - Dihelson Mendonça






LEMBRANÇA IMORTAL


O ar tao docemente trouxe o aroma
De outras eras passadas
À sombra frágil dos eucaliptos
Rasgou assim a minha consciência
E brilhou na claridade da minha juventude!

Sons longínquos de uma era distante,
O cheiro da fumaça de madeira,
O frescor da tarde, a liberdade imensa,
E a paz celestial da minha rua...

Meu pai sentado a ler numa cadeira,
Minha mãe a coser cantarolando em plena sala,
Gatos dormiam, cansados da noite insone estrebuchados
E ao longe se viam nuvens talentosas a esculpir o céu.

A brisa de junho causava um frio temporário
E eu via algum transeunte a passar na rua
Talvez um estudante rumo à escola
Talvez um velho, (meu reflexo) a ruminar os anos vencidos.

As montanhas guerreavam pela exuberância da beleza.
E a flora rejuvenescia a cada chuva,
A vida era doce, minha Mãe um anjo,
E nesta época Eu era imortal !

Para onde foi a minha graça?
Que fizeram da minha mocidade?
Em que página de um livro escondi a minha vida?
Talvez as pedras o saibam,
Talvez as nuvens a tenham tecido
Na imensidão do céu...
E quem sabe, o sonho acordado de uma vida assim
Talvez nunca tenha sido por mim sonhado...

Dihelson Mendonça - 2003

domingo, agosto 16, 2009

TV do Futuro - Sem cabeça, não existe solução !!


Sátira ao quadro da Mona Lisa de Da Vinci - Mula Lisa

A TV Digital vem aí. Quem precisa ainda da televisão convencional ?

Porque não escolher HOJE vc mesmo o que deseja assistir ?
Porque não escolher entre os milhares de canais de TV já existentes na internet ?

O problema não é tão simples assim. No Brasil, por décadas se formou o hábito das pessoas se basearem nos meios de comunicação, Rádio e TV , a fim de ter parâmetro de gosto. A TV e o Rádio lhes diz qual a onda do momento. Eles estão prontos para serem teleguiados. Foram amamentados com isso. Não conseguem mais pensar por si só. É como um animal que no processo evolutivo, perdeu o cérebro. É preciso que exista sempre a "grande mídia" para lhes dizer qual marca de roupa devem usar, qual grupo musical é o SUCESSO... qual a pasta de dentes que se deve comprar e a cerveja que desce redondo...

Desde que mundo é mundo, o Marketing é quem dita o gosto das pessoas.
Infelizmente, mesmo com toda a tecnologia disponível, poucos ainda estão aptos a escolher o que realmente desejam assistir, e preferem que alguém lhes formate os programas e os comerciais.

Aqui e acolá se pode encontrar alguém que já deu sumiço na TV convencional, e passou a assistir TV apenas via internet, ou no Youtube. Na verdade, a TV da forma comum, sem interatividade, é artigo completamente obsoleto, mas vai demorar muito para as classes menos pensantes começarem a pular para outros meios, porque onde já não há educação, não há a mínima possibilidade de se educar. Aliás, as classes menos pensantes estão sendo atropeladas pela tecnologia ultra-moderna. A internet invade a favela, a periferia das cidades. Mesmo o Zé das quantas que nunca teve formação alguma, já quer ter acesso à internet para ver aquilo que ele mesmo se espelha: Sites como "Miséria.Com", onde o Zé pode ver os pedaços das pessoas que foram atropeladas na esquina da casa dele. Pode ainda ver as coisas mais pornográficas que ficaram sem censura no Youtube, e pode procurar por aquela bandinha de forró que o Zé gosta, bem ao nível do intelecto dele.

Assim, sites úteis que promovem o engrandecimento do Ser Humano, como a Wikipédia, e os sites educativos, jornalísticos como a Reuters e outros, passam longe dessas pessoas, porque afinal, a internet tem de tudo. E para quem vive e pensa ainda como um animal selvagem, sem qualquer formação, não haverá nem agora nem no futuro tecnologia que dê jeito... Mas o Zé não tem culpa. Ele é a vítima de todo um sistema que o usa como massa de manobra para seus interesses, sonhar com a Ferrari, colocar um poster de Gisele Bundchen na parede e não ter feijão na panela para comer. É. O Zé não tem culpa. Ele não teve acesso ao que dignifica o ser humano: A Formação. A Educação geral do indivíduo. O Sistema não precisa que o Zé pense. Precisa que ele trabalhe. O sistema quer apenas que o Zé possa dar a última gota de sangue, consumir e sonhar que um dia vai ficar milionário, ralando e comendo a sua marmitinha...

Vai sonhando, Zé... vai sonhando. Seja o cidadão irrepreensível que trabalha para o nosso belo quadro social. Submissão total. E a máquina do sistema vai ficar super satisfeita contigo, Zé !

Por: Dihelson Mendonça

Não usar o meu nome em vão...




"Se as pessoas tratassem de ajudar-se uns aos outros,
precisariam menos recorrer à Cristo na hora das
necessidades. Usam Cristo como pretexto para sua própria fraqueza interior. Aquelas pessoas que se pedem favores
e falam "vou orar" são inúteis, porque poderiam
levantar a bunda da cadeira e ajudar o próximo.
Mas preferem comodamente sentar-se, orar, e
esperar que um milagre aconteça, por inércia
de não querer mover um músculo para ajudar
o semelhante!"


Dihelson Mendonça - 25/02/2008

Idealismo


"Poema sem Mel, sem amor, sem fel, sem mentira, sem vaidade, sem perdão, sem maldade, sem vergonha, sem pudor. Poema real, racional, ideal, factual...chega de amores fúteis!" Dihelson Mendonça



IDEALISMO

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?!

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

[Augusto dos Anjos]